As grandes aquisições da Microsoft feitas antes da compra do Skype

O mundo dos negócios é uma selva. A sua empresa pode estar liderando um segmento e despontando como a última moda. Todos usam o seu produto, todos falam sobre ele. Vem a especulação, é bolada uma forma de negócio e o lucro, que é o objetivo-fim de toda empresa capitalista, surge ou não.
Independente de estar no azul ou no vermelho, o destino de muitas empresas novatas e já bem sucedidas é, em muitos casos, a absorção por outras maiores do mercado. Nos últimos anos, a Google se tornou referência no assunto, chegando ao ponto de incentivar a criação de algumas empresas startups cujo objetivo, em vez do lucro, é serem adquiridas pela empresa de Sergey Brin e Larry Page. O histórico de aquisições da empresa dá margem a esse tipo de pensamento. Dentre outras, nos últimos anos a Google comprou YouTube, Blogger, Gizmo5 (base do Google Voice), Keyhole (base do Google Earth/Maps), dentre (muitas) outras…
Skype: da Microsoft, por US$ 8,5 bi.
Skype: da Microsoft, por US$ 8,5 bi.
Esse tipo de prática é antiga no mercado de tecnologia. Nessa semana, a Microsoft chamou a atenção do mundo com a bilionária compra do Skype, serviço de VoIP, telefonia via Internet. A empresa comandada por Steve Ballmer gastou US$ 8,5 bilhões na aquisição da outra, que se tornará uma divisão de negócios dentro da Microsoft e terá a sua tecnologia integrada a praticamente todas as suas linhas de programas, desde as destinadas ao mercado doméstico, como Xbox/Kinect, até as corporativas, com o Lync e Outlook.
Aproveitando o ensejo, vamos fazer um passeio pelas grandes aquisições da Microsoft ao longo da sua história? Foram várias, 128 aquisições, para ser mais exato, o que dá uma média de seis por ano. Como espaço e tempo são curtos, ficaremos nas mais dispendiosas e/ou importantes, ok? A lista completa, incluindo as compras de ações de outras companhias, pode ser vista na Wikipedia (em inglês).

Forethought (1987)

A primeira compra da Microsoft foi a Forethought, uma empresa de software fundada nos Estados Unidos em 1983 por Rob Campbell e Taylor Pohlman, e que foi adquirida em 1987 por US$ 14 milhões. O principal produto da Forethought era o Presenter, que anos mais tarde foi rebatizado para PowerPoint. A primeira versão do hoje onipresente criador de apresentações de slides funcionava apenas no Mac e era em preto e branco, dada a limitação de hardware da época. Quando os primeiros computadores coloridos da Apple foram lançados, uma versão em cores saiu.
As versões para Windows do PowerPoint só apareceram no começo da década de 1990, período no qual, também, o aplicativo foi integrado à suite Office, onde permanece até hoje.

Hotmail (1997)

Lançado em julho de 1996, o Hotmail foi o primeiro serviço de webmail da história. Até então, todos os serviços de email eram atrelados a provedores e dependiam da instalação e uso de um software local, como Outlook ou Thunderbird. O nome do serviço é uma brincadeira com o acrônimo HTML (HoTMaiL), linguagem de marcação que é a base de toda a web.
Com 8,5 milhões de usuários, em dezembro de 1997 a Microsoft comprou o Hotmail dos seus criadores, Sabeer Bhatia e Jack Smith, por US$ 400 milhões. O serviço, agora sob as asas da gigante de Redmond, continuou crescendo, registrando 30 milhões de usuários ativos em fevereiro de 1999. Após um período de estagnação de todo o segmento, em abril de 2004 a Google chacoalhou o mundo com o Gmail e seu espantoso 1 GB de espaço, isso numa época em que os concorrentes ofereciam mega bytes a conta gotas — o Hotmail, dava 2 MB nas contas gratuitas.
Dali em diante o Hotmail sofreu uma série de mudanças, de trocas diversas de nome envolvendo a então recém-criada divisão de serviços para a web, Windows Live, a reformulações no layout que, apesar de diferentes e minimalistas, não conseguiam bater a harmoniosa experiência do Gmail. Apesar disso, ainda hoje o Hotmail é um dos serviços de webmail mais utilizados do mundo e, na sua última versão, lançada no final de 2010, ganhou melhorias bem interessantes.

Bungie Software (2000)

Halo Reach, último título da franquia produzido pela Bungie.
Halo Reach, último título da franquia produzido pela Bungie. (Foto: divulgação)
No final do século passado, a Microsoft anunciou o Xbox, seu console doméstico, seu video game. A empresa peitou as três gigantes japonesas do setor, Sony, Nintendo e SEGA, todas há anos nesse mercado e brigando de forma acirrada pelos corações dos gamers da época. Como entrar num nicho tão acirrado, sem expertise, e ainda assim fazer sucesso?
Um dos fatores-chave foi a Bungie, ou melhor, o seu jogo principal, a franquia Halo. Sinônimo de Xbox e um dos FPS mais divertidos e ricos em termos de história da última década, a aquisição da Bungie Software, a produtora do game, foi estratégica e pontual — na época, já havia até uma versão demo rodando no… Mac OS!
Com a aquisição da Bungie, Halo tornou-se um título, a princípio, exclusivo para Xbox. Os dois primeiros jogos da série foram portados para Windows, mas o forte dela, mesmo, ficou nos consoles. Todo lançamento, até os de títulos menos expressivos, como Halo Wars e Halo 3 ODST, causam furor na base de fãs e, claro, ajudam a vender mais consoles.
Desde o ano passado, porém, a Bungie não é mais propriedade da Microsoft. Depois de lançar Halo Reach, ela voltou a ser independente e assinou um contrato de dez anos com a Blizzard Activision para publicar seus títulos. A franquia Halo, porém, ficou nas mãos da Microsoft.

Danger (2008)

Criada por ex-funcionários da Apple, WebTV e Phillips, a Danger fez um sucesso estrondoso nos Estados Unidos, há alguns anos, com o Sidekick, também conhecido como Hiptop, um celular-quase-smartphone especialmente desenhado para facilitar a escrita de mensagens de texto.
Em 2008, a Microsoft comprou a Danger por meio bilhão de dólares. Durante quase dois anos, muito se especulou sobre o que sairia dessa fusão. Tais rumores foram unificados sob um codinome, “Projeto Pink”. Depois, meses antes de anunciar o Windows Phone 7, a Microsoft colocou no mercado os celulares KIN, em duas versões, com a “alma” dos Sidekicks.
Foi um fracasso tão violento, mas tão violento, que os aparelhos, KIN 1 e KIN 2, não duraram dois meses nas gôndolas das lojas. Com pouquíssimas unidades vendidas, o projeto foi cancelado e praticamente esquecido dentro da Microsoft, que, com toda a razão, passou a focar exclusivamente no Windows Phone 7. Desde o anúncio do KIN, aliás, discutiu-se como ficaria essa rivalidade internar. Não ficou, visto que o KIN não viveu para ver o Windows Phone 7 nascer…
KIN 1 e KIN 2.
KIN 1 e KIN 2. (Foto: divulgação)

E o Skype?

Disso tudo, fica bem claro que, às vezes, o que aparenta ser o melhor negócio pode, no fim das contas, dar prejuízo. O Skype representa a compra mais cara que a Microsoft já fez em sua história, o que aumenta, em muito, a resposabilidade sobre os rumos da parceria. A empresa, enquanto administrada por um fundo de investimentos, estava dando prejuízo; conseguirá a Microsoft reverter esse cenário, tornar o Skype rentável e, de quebra, valorizar seus produtos integrando o backend do serviço de VoIP a eles? Só o tempo, e a competência dos funcionários da empresa, dirão
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